quarta-feira, 4 de junho de 2008

ABORDAGEM CULTURAL

Esta se traduz em uma das abordagens apresentadas no livro “ EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLA: questões e reflexões” de Suraya Cristina Darido, a abordagem cultural se realiza a partir de discussões a respeito da vinculação entre a dimensão biológica e cultural.

Abordagem Cultural (página 16)

"A abordagem cultural foi sugerida por Daólio (1993), em crítica à perspectiva biológica que ainda domina a Educação Física na escola. Segundo o autor, esta visão naturaliza e universaliza o corpo humano, entendendo-o como um conjunto de ossos, músculos e articulações. Assim, todos os corpos são iguais por possuírem os mesmos componentes, e as aulas de Educação Física devem ser as mesmas para todos os alunos, em qualquer época e lugar. O autor continua: "Se o professor percebe que os corpos diferem entre si, a explicação se dá em Junção da natureza do corpo: existem corpos naturalmente melhores, mais fortes, mais capazes, e existem corpos naturalmente piores, mais fracos e menos capazes" (p.49).

Daólio (1993) buscou, nas suas propostas, basear-se numa perspectiva antropológica, um contraponto possível à ênfase biológica, e denominou de enfoque cultural, cuja principal vantagem não é a exclusão da dimensão biológica, mas a sua discussão vinculada ao surgimento da cultura ao longo da evolução dos primatas até culminar com o aparecimento do Homo sapiens.

O autor, com apoio de Mareei Mauss, procurou ampliar o conceito de técnicas corporais à prática da Educação Física, tendo concluído que se todo movimento corporal é considerado um gesto técnico, não é possível atribuir valores para esta técnica, a não ser dentro de um contexto específico. Assim, não devem existir técnicas melhores ou piores. Enfatizando o papel da cultura, o autor lembra que toda técnica é cultural, porque é fruto de uma aprendizagem específica de uma determinada sociedade, num determinado momento histórico.

Todavia, continua Daólio, a Educação Física vem se pautando, ao longo de sua história, por valorizar os modelos preestabelecidos provenientes do esporte de rendimento, negligenciando, e muito, as diferenças técnicas dos alunos, que não deixam de ser culturais. Nas palavras do autor: "Ao buscar essa eficiência simbólica, ou seja, as maneiras como os alunos lidam culturalmente com as formas da ginástica, as lutas, os jogos, as danças e os esportes. Eficácia que pode, algumas vezes, não funcionar em termos biomecânicosfisiológicos ou de rendimento esportivo, mas é a forma cultural como os alunos utilizam as técnicas corporais" (Daólio, 1993; p. 135).

Daólio (1995) entende que o professor de Educação Física está inserido num contexto cultural repleto de representações sobre o mundo, o corpo e a escola. Daí que a prática transformadora só será possível a partir da compreensão do universo de significados do professor de Educação Física. O autor sugere ainda que o ponto de partida da Educação Física é o repertório corporal que cada aluno possui quando chega á escola, uma vez que toda técnica corporal é uma técnica cultural, e não existe técnica melhor ou mais correta.

De acordo com o autor, o princípio da alteridade, emprestado da antropologia, pode ser um instrumento útil para pensar a prática da Educação Física na escola, pois considera a humanidade plural e procura entender os homens a partir de suas diferenças, de tal modo que os hábitos e as práticas de determinados grupos não sejam vistos como certos ou errados, melhores ou piores. Assim, a diferença não deve ser pensada como inferioridade, pois "o que caracteriza a espécie humana é justamente sua capacidade de se expressar diferentemente" (p.100)."

Um comentário:

Anônimo disse...

Me ajudou muito esse saite para uma pesquisa escolar.
Obrigado!